A Linha de Ariadne

onde nos leva a arte

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

shift delete


How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.

Eternal sunshine of the spotless mind!

Each pray'r accepted, and each wish resign'd;


Eloisa to Abelard
by Alexander Pope

as recordações autodestroem-se com o tempo e quando deixam de fazer sentido.

para quem ainda não viu, aqui fica a sugestão.




segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

A cidade definitiva.







































Nas tuas ruas /mãos

mora um segredo.




...

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Finalmente iguais sob a mesma desgraça

Encontramo-nos casualmente na rua quando chovia
E sei que preferias partir comigo a ficar aí, a mexer nesse pó
De gesso e a abrir buracos nos tectos das casas para chegar ao céu
E o entubar até às paredes respiratórias. No desencontro
Desta hora, são horas de terminar a digestão e o cigarro e voltar
A pegar nas ferramentas: a ti a mais completa poesia da destruição
E a arte de fazer de conta que o trabalho se faz rápido, eficaz;
Para mim, a caneta fraca e cobarde, a câmara clara das minhas memórias
E uma mochila pesada e inútil como uma carapaça mole. Sabes
Que podíamos percorrer estas ruas húmidas pelas primeiras chuvas
Como uma mulher que se entrega; sabes que podíamos transfigurar
Este granito, todo este peso imenso, nos corpos femininos que nos escapam
Às mãos rudes com que os buscamos; sabes que podíamos fazer
Desta cidade a impossível mulher, puta e santa na perfeita medida do desejo.
Meu irmão, resta fazer as contas ao que nos sobra depois de nos roubarem
O coração produtor e acreditar que dias melhores serão possíveis; que, um dia,
Voltaremos todos a falar a mesma língua e as mãos voltarão à sua pureza inicial,
Longe dos árduos cabos das picaretas e dos maços, do corpo rugoso dos escopros
E das cicatrizes do trabalho. Ainda que penses o contrário, preferia muito mais ter
O meu cabelo sujo com o pó do cimento e do gesso, a t-shirt manchada de tinta
E essas mãos cicatrizadas que agora escrevem noutro papel, noutra hora de trabalho
Nocturna ou que se arrastam cansadas pelos sonhos de uma vida melhor, destruindo
A superfície menos dura dos livros. Acredita que dias melhores serão possíveis,
E que o sol brilhará e o pó das casas não se agarrará a ti e que os teus dedos não serão
Mais feitos de metal. Caso o boletim metereológico erre a sua previsão, haverá chuva
Para nos molhar a ambos, a todos, finalmente iguais sob a mesma desgraça.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

explicação da eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Taking Woodstock - Official Trailer [HD]

Sugestão cinéfila da semana!

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Quando as luzes se apagam

Ana Lacerda


"É cantando e dançando que o homem se manifesta como pertencendo a uma comunidade superior: desaprendeu de andar e de falar, mas prepara-se para se elevar, dançando."


Nietzsche, "A origem da tragédia"


Há oito anos atrás, quando as luzes se apagaram, tinha dentro de mim a certeza que não voltaria a pisar um palco. Carreguei o peso dessa decisão durante muitos anos.


Como eu tinha tantas certezas....


Agora sei que dançar faz parte de mim e vou voltar a acender as luzes. Mas desta vez vai ser diferente, não vou ter medo que elas me ceguem







sábado, 29 de Agosto de 2009

Gugu-san - três anos

És tão jovem
E já operas milagres,

Como ver o duro chão negro
E citadino coberto de flores.

Uma para a mãe,
Uma para o pai,
Para o mano e para a mana,
Para a avó e o avô.

Ninguém é esquecido na ânsia infantil
De partilhar a beleza do mundo habitado.

(depois de um passeio com o sobrinho mais novo)

sábado, 8 de Agosto de 2009

Raul



Raul Solnado
1929 - 2009

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

A magia da Edição

Boa noite.

Uma colega fotojornalista mostrou-me este site.
Nele podem encontrar algumas fotografias editadas e comparar com os originais.
É interessante reparar como o valor da edição aumenta, muitas das vezes, a carga simbólica da foto - como se o editor conseguisse adivinhar o que o fotógrafo pretendia mostrar.

O que penso acerca da edição? - simples, sempre se fez. O photoshop apenas tornou mais acessível, democratizou se assim quiserem chamar, processos (segredos até) que se usavam na câmara escura para fazer exactamente o que se faz hoje: aumentar a carga simbólica de uma foto.

Alimentando a polémica, diria que pessoalmente, não vejo nada de pouco ético nisto - mesmo nas edições mais puxadas. Afinal de contas, não é como se estivesse a acrescentar algo que não está lá - mas sim a trazer à superfície algo que se esconde por detrás da visão do fotógrafo.

terça-feira, 30 de Junho de 2009

Philippine Bausch, 1940-2009


A dança não é a expressão artística que mais me toca, mas era impossível não ficar comovida com Pina Bausch.

Inesquecível a sequência em Hable Con Ella, de Almodóvar. Não há como não entender aquilo que dizia com o corpo.



sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Michael Jackson - 1958/2009


Goste-se ou não, aqui fica a lembrança.
___
"Billy Jean is not my lover
she's just a girl who says I am the one"
.

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Be thankful for what you've got

Rewind Selecta!...

domingo, 24 de Maio de 2009

BRAVO!

Vou mandar fazer t-shirts e pins do Marinho Pinto e do Medina Carreira!

Não percam isto, alguém a dizer as verdades à Manuela Moura Guedes.

.

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Ouve a tua música alto

Ouve a tua música alto 
E afugenta os fantasmas
Da tua mente.

         Finge:
Está tudo bem – ainda és
A mesma criança que viu
O mundo crescer; ainda és
O mesmo que eras quando brincavas
E o tempo não existia e o sorriso
Ainda enfeitava o rosto.

Já viste bem como somos hoje?
Adultos perfumados e frios
Que nunca seguram o balão do sorriso
Entre as mãos agradecidas;
Ou quando ele existe é o Jogo,
A mentira de uma possível sedução
Entre desconhecidos agradecidos
Por alguém afugentar a solidão.

A verdade é que
                     o mundo
                          já não nos surpreende.
O sol é apenas uma estrela, o umbigo
Solar do sistema que nos contém;
A lua já não tem mistérios nem ilumina
Os poetas que agora se escondem sob candeeiros
- a falta de fantasia matou o azul
do céu que, agora, raramente olhamos.

Não ligues se os teus amigos enriqueceram
E te esqueceram; não ligues se continuas igual,
As mesmas ilusões cansadas dos poetas pobres,
Os dedos canetas e o papel que sujam.
Todos estamos sujeitos à crueldade de estranhos
Que ordenam, com controladoras mãos, as vítimas
Inoperantes do sistema económico que nos rouba.

Por tudo isto, explode a cabeça com música.
Isso e as drogas talvez te salvem da morte,
Da vida repetida sob o mesmo céu plúmbeo.

Não te surpreendas se doer
- quando o corpo já não sente e os ouvidos não escutam
É bem melhor lavar as memórias no sangue.


Já que ninguém diz nada mando eu uma posta... este poema também está aqui

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Milan, Madrid, Chicago, Paris



Não é o roteiro de férias, mas poderia muito bem ser que eu não me incomodava nada :)
Bom fim de semana!

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Estagiário sonha com um futuro

Já aconteceu a todos. Estagiários ou não. Podem ser trabalhadores a contrato ou a recibos; certos ou incertos todos na certeza do dinheiro que entrará ou não na voraz boca do banco.

Damos por nós a pesquisar os tempos mortos, a aproveitar uma pausa rápida para espreitar quem conseguiu avançar e fazer algo de válido, algo que gostariamos de ser pagos para fazer. Algo que efectivamente faz uma diferença no panorama das coisas e nas informações dos sites de jornais e tv's online, onde se cultiva a paranóia, o sexismo inconsciente, o medo. Afinal de contas, todos nós temos sonhos e queremos fazer o que, efectivamente, faz a diferença.

Quebrando o silêncio que já se fazia sentir da minha parte há algum tempo, deixo aqui uma entrevista de Paulo Moura, jornalista do Público, e o link para o seu blog.

O Louco Global

"O homem entrou no metro mas não começou logo. Esperou que pensassem que era um utente normal. Então lançou, aos gritos: “Mais 20 mil soldados para o Iraque? Vão regressar todos em sacos de plástico. Todos!” Estava a falar com alguém? Não. Gritava para quem quisesse ouvir. “Acabaremos também por ir lá parar!” E continuou, sem baixar o volume, num discurso ininterrupto, como se se dirigisse a uma plateia interessada. E talvez fosse o caso.

O homem tinha a barba por fazer e vestia roupas sujas e rotas. Levou escassos segundos a que os passageiros o classificassem mentalmente como um “louco do metro”. Como tantos outros do género, no metro de Lisboa. Entram numa estação, fazem um discurso e saem na seguinte. Ninguém reage, obviamente. Ninguém o interrompe para dizer “desculpe, não concordo inteiramente com esse ponto...”. Também ninguém diz: “Cale-se, que me está a incomodar”. As pessoas evitam até cruzar o olhar com o dele. Se identificasse um interlocutor, o homem poderia desatar a falar para ele, a fazer-lhe perguntas, ou a insultá-lo, o que seria muito embaraçoso. Ou poderia mesmo desferir-lhe um murro certeiro no nariz, caso lhe ocorresse interpretar o silêncio aflito do transeúnte como prova irrefutável da sua conivência com a política de Bush para o Iraque.

Era um louco do metro e portanto o melhor era não ligar. Falou mais um pouco sobre o Iraque e depois passou para a reforma da administração pública em Portugal, não sem antes se deter brevemente no problema do nuclear do Irão. Podia ser maluco, mas não havia dúvidas de que estava muito bem informado. Mais do que as pessoas normais.
Lembrei-me de entrevistas que ouvi do Gato Fedorento ou dos redactores do Contra-Informação, em que descrevem o seu método de trabalho: sentam-se todas as manhãs a uma mesa, com a imprensa do dia, e estudam as notícias e os temas sobre os quais vão depois construir o discurso humorístico. Será que o maluco do metro faz o mesmo? Começa a manhã com uma pesquisa exaustiva em jornais e revistas, na internet, em livros especializados, sublinhando, tirando notas, para depois elaborar o seu discurso louco do dia?

Tenho pensado muito nesta questão. Porque andam os loucos hoje tão bem informados? Por serem loucos? Ou foi a informação que os enlouqueceu? Uma coisa é certa: a demência não impede um discurso articulado e crítico sobre o mundo. Impedi-lo-á a sanidade?

Será a imposição de limites ao horizonte uma condição para a nossa saúde mental?
Ninguém sobreviveria se soubesse de tudo o que se passa no mundo. Hoje, as informações estão disponíveis em doses capazes de nos destruir. Não é possível compreender a sociedade global sem o recurso a teorias da conspiração, projectos terroristas, filosofias paranóicas. O nosso modelo axiológico apenas está preparado para o universo do indivíduo e do seu reduzido ângulo de visão. Não mais. Em todas as épocas há lendas sobre homens que subiram ao topo de uma montanha e enlouqueceram.
Talvez a ignorância seja, portanto, um recurso dos mais aptos. Fechamo-nos, por instinto de sobrevivência. A liberdade tornou-se um handicap evolutivo. Privilégio dos loucos, que só têm a perder uma audiência muda de curiosidade. “Cambada de estúpidos”, rosnou entre dentes o louco do metro antes de se apear na estação seguinte."

(PÚBLICO, 2007)

sexta-feira, 17 de Abril de 2009

José Franco, 1920 - 2009


Faleceu na madrugada de 14 de Abril, um dos artistas populares portugueses (e por ser popular, mal conhecido) que mais me marcou, em conjunto com Júlia e Rosa Ramalho. Quem conhece a estrada que liga a Ericeira a Mafra, lembra-se de passar pelo Sobreiro, do cheirinho a pão com chouriço, da música de arraial e, principalmente, das obras do oleiro José Franco, um homem de poucas palavras, mas que insirava admiração em todos. Lembro-me de ser pequenina e posar junto aos moinhos, impaciente para entrar na "aldeia em miniatura", e de espreitar sempre para o canto onde ele trabalhava, indiferente aos barulhentos visitantes.
Jorge Amado chamava-lhe "queridinho", e assinou a mensagem da escultura que lhe dedicaram na aldeia típica do Sobreiro:
.
José Franco, artista do barro e da vida...
...um grande homem do povo...
...um português que nasceu com o dom misterioso da beleza e a distribui como um bem de todos...
.
(Jorge Amado)
.
As palavras são poucas para agradecer aquilo que me fez sonhar e o quanto contribuiu para uma infância mais cor-de-rosa nas minhas férias de Verão.
A última vez que lá estive já era mãe de uma recém-nascida, e espero que a aldeia do José Franco se mantenha até a minha filha ter idade para a apreciar tal como eu apreciei, quando ia de férias para sul.


quinta-feira, 19 de Março de 2009

Medina Carreira fala das entranhas

Ainda se vêem coisas surpreendentes pela positiva na televisão:

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/mariocrespoentrevista/2009/3/mario-crespo-entrevista.htm

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Bilhetes esgotados em 15 minutos? Contem outra!


País de parolos, é o que somos, é assim que penso nestes dias, já achando à partida ridículo uma artista como a P.J. Harvey tocar num evento Clubbing, numa sala manhosa para encher chouriços (mil, pelos vistos). A elite que compra pela net é que ganha, bem como os amigos dos amigos dos funcionários, como toda a gente sabe. Estou furiosa com a Casa da Música que mais uma vez prova ser um recinto só para alguns. Espero que falhe a luz no dia do concerto.
(leiam o documento)

terça-feira, 10 de Março de 2009


Horse Latitudes", um tema dos Doors que sempre me causou fascínio/terror, é um poema de Morrison musicado pela banda e escrito por este na sua adolescência inspirado pela capa de um livro que mostrava uma gravura representando cavalos a serem atirados de um navio para o mar.



Sem sabermos isto, dificilmente compreenderemos a faixa 5 do álbum Strange Days (o meu preferido), datado de 1967.

sábado, 7 de Março de 2009

Curiosidades ou Eu gosto muito de ler sobre os Beatles


The Beatles, primeiro Quarrymen (nome do liceu frequentado por John Lennon "Quarry"), devem o seu nome a um trocadilho/anagrama:

Les Beat / Beatles , inspirado pelos artistas beat, admirados por todos os membros da banda, apesar de mais por uma questão de moda do que identificação consistente com o movimento.


John Lennon, ao contrário do que pensava eu, escreveu a canção Lucy in th Sky with Diamonds porque um dia perguntou ao filho que desenho era o que ele trazia da escola debaixo do braço, ao que Julian respondeu:

- É a Lucy no céu com diamantes.

Imaginação doida, a do puto.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

o grito de revolta

Antes de mais nada, as minha saudações a todos os membros deste blog e à nossa imensa(?) audiência. Também aproveito desde já para pedir desculpas pela minha insistência, mas um grito de revolta perante certas injustiças não pode passar despercebido aos ouvidos do mundo.

Até este senhor da música popular portuguesa veio lançar archotes para a questão já desenvolvida neste post. Agora, todos ficamos a saber, que Graciano Saga gosta delas peludas... (se bem que nunca pensei que uma mulher viesse com um ninho de pardais incluido....)

Fiquem bem!