onde nos leva a arte

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Salinas Animais

video

Música: Saregama, Fragments Native Flute Mix, 4D Reality

Fotografia: José Ferreira


Projecto Final da cadeira de Fotojornalismo


Espaço vazio ou reserva natural? As salinas de aveiro estão divididas entre a visão de quem lá vai. Uns vêm um espaço vazio, memória de outros tempos em que o sal era penosamente retirado ao mar; outros uma reserva natural onde várias espécies de aves coabitam e se alimentam.


Quer a memória, quer o habitat natural merecem ser preservados, antes que desapareçam todas as memórias etnológicas que unem o presente da cidade ao seu passado ou que fujam todos os animais que acabam por contribuir para a beleza natural da zona e para o seu potencial turístico.Eu próprio fui um dos que teve de lá voltar mais que uma vez para ver mais do que apenas uma face desse espaço. Na primeira vi apenas uma planície cáustica, limpa de animais, mas não de sinais da presença deles. Um local de grande beleza natural, mas que era apenas um reflexo do passado.


Da segunda vez que lá voltei consegui ver o outro lado das salinas: o de ecossistema com um equilíbrio frágil que serve de refúgio para muitas aves: flamingos, íbis, garças, gaivotas... Vi como este pedaço de terra constantemente perdido e recuperado ao mar sustenta estas espécies mesmo à entrada de uma cidade.


Encalhadas entre rio e mar a Marina da Troncalhada, apesar de vazia de marnotos, ainda vende sal.


Este habitat encontra-se duplamente ameaçado. A construção da já antiga A-25 veio roubar um pouco do seu espaço e trouxe consigo poluição atmosférica e sonora. As cegonhas pareceram não se importar com isso e construiram os seus ninhos ao longo do percurso.


Agora, acompanhando este traçado, vai ser construído um viaduto ferroviário que ligará ao Porto de Aveiro. Este viaduto avança sobre as salinas, conquistando para si ainda mais deste espaço. Vai atravessar uma reserva natural e separar um pouco mais Aveiro das salinas que, no passado, fizeram a sua riqueza.


Não sei medir o impacto natural desta obra. Mas posso usar a fotografia para documentar o presente para, no futuro, se poderem medir os impactos. Assim temos uma arma preciosa na luta contra o esquecimento, contra as pessoas que dizem que as coisas não são, nem nunca foram, bem assim.

2 comentários:

debbie harry disse...

Bom, parece que existe esperança, afinal. Existe jornalismo para além do moralismo. :) ontem o Mário Crespo no final da entrevista ao Sargento Gomes disse: "graças a deus que não sou eu quem o está a julgar" e o jornal da noite começou com letras garrafais que diziam "previsões negras". Altamente! Por isso o teu texto é uma espécie de desintoxicação.

josé de arimateia disse...

:D obrigado!

não sei se apanhaste um programa na sic notícias sobre fotojornalistas de guerra. apesar das imagens chocantes dá-nos não só uma imagem bastante clara do que é o jornalismo hoje e da importância do fotojornalismo para manter a memória das coisas vivas.

fica bem!