onde nos leva a arte

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Expiação

"A Prisão de Cristo ou o Beijo de Judas", (1573 e 1602) de Michelangelo Merisi da Caravaggio 1573-1610



Judas, must you betray me with a kiss?
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Roubado por umas grandessíssimas bestas do museu de Odessa na Ucrânia no dia 31 de Julho deste ano, uma das composições mais realistas e dramáticas sobre o momento da traição de Judas (como lhe chamam) a Cristo, que coincidiu com a prisão e consequente julgamento e crucificação. Este acontecimento seria inevitável, indepentemente da confusão de Judas relativamente ao que aconteceria e ao que deveria ter acontecido. Todas as histórias dos evangelhos têm para mim um enorme significado e, em vez de pensar se serão verdade, gosto de pensar em todas elas como símbolos, veículos de uma mensagem. O que aconteceu com Cristo atormenta e faz pensar ainda hoje, podendo parecer simples, a resposta, a mim perturba-me. Porque aceitou um homem aquele destino, sem combater pelo nacionalismo judaico, sem armas, sem uma palavra, como contam, que o pudesse defender? O que se passou na cabeça de Judas, o velho do Restelo da história, para esperar que Cristo, a quem seguiu nos 3 últimos anos das suas vidas, mudasse de postura e voltasse a trabalhar madeira, apenas? O peso da dor ao vê-lo na flagelação foi superior às suas forças, enforcou-se pouco depois, não chegou sequer a estar presente na crucificação, bem como nenhum dos outros discípulos, que se refugiaram nos arredores da cidade, com medo de serem também executados. Que se passou como estas pessoas para depois se arrependerem e pregarem até à morte a filosofia de Cristo, aguentando torturas e um fim doloroso? Se não houve ressurreição, o que os fez acreditar? O que muda em nós quando nos apercebemos de algo maior?
2008 anos sem esquecer podem ser uma resposta.
Caravaggio é um dos meus pintores favoritos, como já aqui disse, mas este quadro conduz-me a outras reflexões.

2 comentários:

debbie harry disse...

Esqueci-me de acrescentar que foi neste quadro que Mel Gibson se inpirou para filmar a cena da prisão de Cristo no filme. Como aliás toda a fotografia de cena é inspirada em Caravaggio, pintor favorito do realizador.

josé de arimateia disse...

a luz nestes dois quadros é perfeita. se bem que na "vocação de são mateus" isso seja mais perceptível. vou parar de mandar bitaites agora! :P

fica bem!